Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Discursos Sobre a Cidade - 103 - Por Tupamaro

 

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“CONVERSAS COM ZEUS”

 

-XI-

“ABRILOTAS e Abrilotos”


 

 

Andamos cá a cismar no que irá acontecer no próximo 8 de Julho, aí por Chaves, já que quanto ao próximo 10 de Junho esperamos mais do mesmo, isto é uma inundação de vacuidades, de lavagem de comportamentos covardes, traidores e traiçoeiros perante um Povo bom e sério, e, por isso mesmo, facilmente contido no redil da resignação, que os marmanjos ABRILOTAS, com o apoio de lambões Abrilotos, conseguiram construir.


O 8 de Julho continua a ser apenas um oportuno pretexto para um grupo de ABRILOTAS e seus Abrilotos locais fazerem mais uma borga, ouvirem tocar as «concertinas dos Rapazes da Venda Nova» e os amigalhaços lhes tirarem mais uns retratos, onde ficará eternamente gravada a magnificência da sua grandeza histórica!


O 8 de Julho, aí por Chaves, continuará a ser um biombo a disfarçar as pantominas desses títeres e saltimbancos e, ao mesmo tempo, a esconder os feitos de muitos Flavienses que, imperativamente e com toda a Justiça, deveriam ser recordados.


Lembrámos a Zeus que viesse às CALDAS beber um copo para melhor regular o trânsito das suas preocupações com a sua amada Grécia.

Claro que o que nos queríamos era que ele desse umas voltas pelos “circuitos de geometrias variáveis aí da NOSSA TERRA”.


Desculpou-se com tantos afazeres.


Mas nós até lhe chapámos na cara que ele, o que tinha, era medo de se assustar com os descalabros que o esperavam.

 

Mas ele teimou:

 

-“Ei! Tamegano! Não esqueças que eu conheço de ginjeira esse retalho ibérico mai-la sua gente. E conheço “à légua” os sacripantas e os pavões de Castelões empoleirados nos caldeiros da cozinha do Duque!

O Bordalo já ensinou, simbolicamente, o que esse Povo tem a fazer.

Ora, que deixe de ser sonso, e … catrapimba”!

 

-É verdade, Zeus, - retorquimos.

 

Desgraçadamente para Portugal, e ainda mais desgraçadamente para a Normandia Tamegana, a cambada de ABRILOTAS e Abrilotos medra que se farta!


Arranjar diplomas sabem eles! E como a tradição da «banha da cobra» ainda continua a servir para engrampar o Zé Povinho, apesar de esses ABRILOTAS e Abrilotos não comportarem Conhecimento, apenas «sabiciche- xico-‘spertice», cá continuamos sujeitos a ter de aturar javardices políticas, borradas economicistas, azeiteiros caprichos de excrementos partidários, descaradas roubalheiras por larápios disfarçados de ministros, conselheiros, deputados, vereadores e outros afin(s)..adores que tais!


Para esses ABRILOTAS e Abrilotos (de merda) parece que em Portugal só há duas classes de gente:


Eles - os XICO’SPERTOS; e os Outros, os LORPAS!


E, lá, desde a redoma da sua impunidade, não se importam de fazer de Portugal uma Sociedade indecente - uma Sociedade onde as «Instituições humilham as suas gentes».


Eles, infames (vis, abjectos, ignóbeis), querem ver os Outros infames ( sem fama, sem proveito).


Os ABRILOTAS e os Abrilotos são gente reles. “Do piorio”, como usamos dizer, por aí.


Não conhecem o irmão, nem o companheiro, nem o vizinho.


O engaço, só quando o pisam e este lhe quebra a cornadura.


O 25 de Abril anunciou e trouxe a Liberdade - os ABRILOTAS e os Abrilotos bem a aproveitaram para subir ao alto patamar da sua incompetência.


O 25 de Abril anunciou e trouxe a Igualdade - os ABRILOTAS e os Abrilotos logo decretaram serem eles «mais iguais do que os outros».


O 25 de Abril anunciou, mas não trouxe, a Solidariedade - os ABRILOTAS e os Abrilotos saíram-lhe ao caminho e ficaram-lhe com ela.

E Portugal continua uma Sociedade Indecente.


Essa «gajada» apanhou as OPORTUNIDADES de, mefistofelicamente, ocupar cargos de administração pública.


Essa «gajada» sabe muito bem que essas OPORTUNIDADES lhes acarretam RESPONSABILIDADE, mesmo que não queiram.


Mas esgadunham-se todos para só aproveitarem a OPORTUNIDADE das OPORTUNIDADES e sacudir a RESPONSABILIDADE.


Ah! Que esperta, espertinha e espertalhona é esta «gajada»!


Os ABRILOTAS e os Abrilotos, desde Belém e S. Bento, desde a Avenida do Almirante, da Rua do So(lh)eiró, do Ca€tano à Lapa(da), do Largo do Rato a fazer manguito ao do Caldas, e do canto do olho verde da Boavista, com a ajuda de renegados colaboracionistas, estão a empurrar os limites da resignação dos Portugueses para zonas perigosas de indignação.


E aquilo que nós queremos chapar na tromba desses ABRILOTAS e Abrilotos “pavões”, «cuneiros”, so…cretinos, so…ar(t)istas, boli…queimes ou boliqu’ ardes, gamófilos, joaninos, antoninos, jacobinos, batistetas, lalinhos, esquerdelhos e direitelhos, pentelhos de hipótese de gente decente, e etecétera coisa e tal, a esses ABRILOTAS e Abriolotos queremos chapar na tromba da sua Face Oculta e à Vista os Cinco Sentidos de


 

J U S T I Ç A!

 



Tupamaro


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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Discursos Sobre a Cidade - 98 - Por Tupamaro

 

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CONVERSAS COM ZEUS”

-IX-

Terrenos e Celestenos


 

Cheirou-lhe a Primavera cá para estas margens atlânticas e Zeus chegou-se a uma das sacadas parecidinhas com as de CHAVES e espreitou a Normandia Tamegana.


Bem, temos de, já, já, reconhecer que Zeus tem bom gosto e que até umas certas Fotografias de um tal Dinis lhe «enchem as medidas».


Íamos a caminho de Samarcanda. Deu conta da nossa passagem. E, como aprendeu bons costumes com os Bichos do Reino Maravilhoso, chamou por nós, e convidou-nos para beber.


Nós até já lhe conhecemos muitas divisões dos seus muitos palácios, palacetes e casas.


Mas não contávamos era ver um rico presunto penduradinho na Adega para onde entrámos.


Zeus é perspicaz e topou aquele tracinho insignificante que se nos escapou com a surpresa.


 

- Este é de CASTELÕES! – atirou-nos sem mais nem quê.


Pega num pichorro, e armado ao pingarelho, vira-se para nós e interroga:


- Branco ou Tinto?

 

- Ai que baile! – pensámos cá com os nossos botões.


Desconversámos, e dissemos:


- Do Silveira, da AGRELA de ERVEDEDO.

 

- Fintaste-me! Desse ainda não o proβei! Mas, já agora, dou-te a penitência de me arranjares um caneco dele, dê lá por onde der!

 

Uf! E Samarcanda ainda tão distante!


Uma comadre de Hera entrou com uma rica sêmea de LEBUÇÃO, dois pães – centeio da CASTANHEIRA, três trigos de quatro cantos de FAIÕES acomodados num tabuleiro feito por um artesão de CARVELA e mostradinhos numa toalha de linho feita e bordada em SOUTELO.


Mal reparámos na comadre - devia ser prima direita de Afrodite!... – e já na tampa da tulha «pintavam» mais dois salpicões e três linguiças.


-Ó Zeus, pára lá com isso!


Sabes bem que ….

 

- Bem m’ǿu finto! – interrompeu.


Quero mostrar-te que apesar de tu e toda a gente «andardes» a falar da franqueza transmontana ‘inda nem destes bem conta de quanto vale.


Como «vês e podes ver» ela consola os “terrenos” e regala os “celestenos”.


Chega-te pr’àqui. Afinfa-lhe. Esta Linguiça é de SEGIREI, aquela é de AVELELAS, a outra é de SOUTELINHO. O Salpicão da Língua é do CANDO; o outro é de VILAR DE IZEU.


Chega-lhe! ‘Inda tens muito caminho pela frente!

 

Bem, lá fizemos «o sacrifício» de βotar uma pinga a cada fatia e rodela das proβações.


E vós já saβindes como são estas proβações ….


-Atão. E das cheias?! Que me dizes? - pergunta-nos Zeus, com ar trocista

 

-Cheias?!


Cheios andamos nós, durante todo o ano, das palermices, idiotices e cretinices dos que, a troco da conversa fiada de zelarem pelo destino da Nossa Terra, nos dão cabo da paciência e da vida - retorquimos.

 

Pinga daqui, rodela dacoli, carolinho dali, o tempo corria e Zeus falava:


-Bem! É mais que sabido que o vosso «Pinóquio», primeiro Ministro, claro, é um traficante de aldrabices e trampolinices.

É um daqueles reles transmontanos que vos envergonham.


Serve-se das Gentes e do Reino onde nasceu despudoradamente.


Ainda há dias vos mandou p’raí dois lacaiozitos anunciar-vos que quando vos rouba está a dar-vos.


Destroem os Caminhos-de-Ferro, fecham importantes Serviços Públicos, desprezam o Património Histórico e Cultural, constrangem os cidadãos à emigração (qualquer dia, pela aragem que vai por aí, até os empurram para a clandestinidade!), e amaldiçoam a vida dos velhos, dos doentes e dos fracos.


Lalões autárquicos e Deputados e Ministros jagodes a precisarem de uma glossite aguda, a ver se aprendem a dobrar a língua e a mente para mostrarem mais respeito pelas PESSOAS, e muito especialmente pelos que vivem e labutam no seu Reino Torgueano.


Naquele Postal do Blogue “CHAVES”acerca das Barragens está bem patente a sacanice (mais uma!) que querem fazer aos Transmontanos.


A grande porra é que a maioria desses vossos presidentezecos de Câmara se abastardam facilmente e com toda a ligeireza. Claro que contando com a colaboração e o comprometimento da seita de lalõezinhos e palermóides politicastras que se armam ou travestem de Oposição.


É bom de ver que com a abrilada (dizer 25 de Abril é outra conversa!), «a arte de governar os Povos» fundiu-se e confundiu-se com a arte de engrampar, institucionalizou-se a “Venda da banha da cobra”, entronou-se a hipocrisia.

A golpada, a desfaçatez e a manigância enxotaram os Políticos e multiplicaram os mandingueiros na administração da Coisa Pública.


Endrominado durante tantos séculos, catequisado sob o dogma dum salvador - seja ele Batistelha, Sebastianeiro, Socratintas ou qualquer outro pantomineiro sempre à espreita - o vosso Zé Pagode continua ensosso, convencido que passará pelo buraco da agulha e que as misérias que «grama» são certificados de garantia de entrada no céu dos pardais e de outros animais.


E, regalados da vida, lá pelos claustros ou jardins de Belém e de S. Bento, pelo salão dos Passos Perdidos, e pelas vielas das vaidades municipais, os sevandilhas vão rindo, rindo, e exclamando:


- valentes camelos!!!


Até que um dia alguém lhes acerte o passo!

 

Zeus está-se a «Transmontanizar», lá isso está.


Não só aprecia coisas boas da NOSSA TERRA como as arrecada. E já usa umas palavritas à moda da Normandia Tamegana.

Eram horas de irmos a caminho de Samarcanda.

 

 

Tupamaro

 

 

 



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Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

Discursos Sobre a Cidade - 93 - Por Tupamaro

 

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CONVERSAS COM ZEUS


-X-

“Reparaide”



 

Zeus telefonou-nos a lembrar-nos para não nos fazermos esquecido e cairmos na maldade de não lhe enviar um carolinho de Folar.

 

Malandreco! Pois até nos constou que tinha enviado Deméter, disfarçada de ceifeira alentejana, a Valpaços, no fim de semana último - o vento fizera-lhe chegar às Cancelas do seu Jardim um Post(al) «pirésico» com ilustração da XII Feira dos Sabores lá das “Encostas do Rabaçal”.


Sabendo da «queda» de Dioniso para as Trincadeiras, Zeus deixou que aquela jeitosa prima de Deméter, e que traz o Niso pelo beicinho, seguisse na comitiva, com a recomendação de não se esquecer de umas garrafitas de Touriga Tinto.

 

Assim avisado, dissemos a Zeus que teria sido bem melhor ter vindo à Feira de “Alguns Sabores e Nenhuns Saberes” de CHAVES!

 

-Estás louco ! - gritou-nos Zeus.

 

Se aí fosse, então é que ordenaria a Hefesto a feitura de um molho de raios para partir uns estuporzitos que continuam a não só consentir como a fomentar a degenerescência dessa bendita terra que os meus afilhados Vespasiano e Trajano enobreceram.


E se por aí continuam com tanta asneirada ainda acabarei por consentir que qualquer ajudante de Hefesto aí monte a sua forja.


E olha que com esse plano socretino das Barragens é o que acabará por acontecer.


Vê lá se convences esses «cromos» travestidos de edis normando-tameganos a ganhar juízo e a baterem o pé (ou apertar o papo) aos troca-tintas que governam desde Lisboa.


Até me sinto grego com tanta merdice que encharca o teu País.

 

-Eih! Zeus! Olha que essa «gaijada» é «fixe». Só quer o bem do «Nosso Povo» ao fazer pela sua própria vidinha!

 

Sabes bem que a água é o petróleo do futuro. Repara que um quartilho da de Vidago, de Caralhelhos ou das Pedras custa mais do que um litro de gasoil!

 

Assim, toca de fazer grandes armazéns para reservas de água estratégicas.

 

Qualquer dia faz-se um guerrazita no Grande Deserto Australiano ou na Mongólia e, zás! … lá vêm uns Baris de Ma$$a para…


-Bem m’ou finto! – atalhou Zeus.

 

(“Reparaide” como «o gaijo» está apanhar o «valdantês». Schiu!).


Perante as notícias do Blogue “CHAVES”, até é de estranhar não aparecer por ali um lalãozinho a declarar ter «pena, muita pena» por este dizer tão mal do (des)Governo; ou um qualquer «cialista» indignado , clamando que está sempre a ser contra o «p’ogresso» e o futuro.


Perante este plano de mais um mau trato à Região, a Vereação e a Assembleia Municipais fazem há-de conta que nem sabem do que se fala.


É a triste pobreza dessa Terra estar a ser guiada por bonifrates.


Indignam - nos Postais deste Blogue.


Mas as javardices, cretinices (e socratinices) decretadas desde o Terreiro do Paço a denegrir, a empobrecer a Normandia Tamegana não lhes causa o mínimo incómodo. Combinam muito bem com as basófias espúrias e os cúmplices silêncios da maioria de «esquerdalhos» e «direitalhos» que administram os interesses Normando-Tameganos e dos que com dores de qualquer «partidarite» se propõem ao mesmo, com atrevida incompetência e com descarada imposturice e hipocrisia.


Querem lá saber do solene compromisso assumido nas candidaturas, nas campanhas e nas tomadas de posse!


O silêncio dos edis, dos deputados municipais, dos núcleos político-partidários locais, municipais e distritais é bem revelador da insignificância patriótica (amor à sua Terra) das maiorias dessas trupes.


Fiteiros!


A coragem cívica e política guardam-na toda para lamber as botas a quem lhes cheirar poder atirar-lhes com um ossito.

 

- Zeus!!! – gritámos-lhe.

 

Se em vez de «sermonar» enfiasses esses marmanjos todos em séjanas de Fez!

 

Sabes…

(Como foi ele a «chamar» e a conta era ele quem a pagava, deixámo-lo interromper).

 

- Não falta muito para lhes facilitar um passeiozinho “à Panfílio”.


Pode ser que aprendam.


Mas, deixemo-nos destas coisas.


“Alembra-te”, mas é, de me remeteres, a tempo e horas, um FOLARZECO para em me consolar no próximo Domingo.


Já agora, arranja também um cabrito ( já «arranjado»!) daqueles que andam a pinchar ali pela Padrela …ou pelo Alvão!


E como já tens encomendas para te incomodar, despeço-me até breve.


- Tomei nota, Zeus. Mas vê lá se nos fazes chegar, ao menos, umas amêndoas de Moncorvo!

 

 

Tupamaro


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Sexta-feira, 5 de Março de 2010

Discursos sobre a cidade - 88 - Por Tupamaro

 

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“Os  GRELOS  da   GAITEIRA”

 

 

 

Visitem as ALDEIAS de CHAVES.

 

As «geometrias variáveis» das suas ruas, ruelas e becos logo vos conduzirão à meditação  histórica; e o casario, as fontes, os bebedouros, e as Capelas à contemplação filosófica.

 

E a entrada na adega ou na cozinha, após aquele sonoro e tão franco “Entre!», vai atirar-vos para uma reflexão ontológica acerca das formas «sustentáveis e sustentadas» da Vida.

 

Estamos no Inverno.

 

Mas, junto daquela gente, o calor da hospitalidade com que vos tratam vai abrasar-vos o coração, muito mais do que o sol a pino, no Verão, vos assa a pele quando vos estendeis como um lagarto, aí pelas praias atlânticas.

 

Ali pela VALDANTÁLIA, especialmente os lípidos da nossa estimação  encontram um continente de regalos que tornam o vosso (e o nosso!) apetite incontinente.

 

Bem, não é por acaso que, por lá e por toda a Normandia Tamegana, os peixeiros (vendedores de peixe!) antigamente eram chamados «sardinheiros»!

 

Estindes a ver, não estindes»?!   - A famosa sabedoria popular, ‘inda antes de Hipócrates, já sabia como aí se devia “aparelhar” os alfas com os ómegas!

 

Pois nestes tempos de invernia, quando as Lareiras são apaparicadas com tanta gente à sua volta, e os potes tão chegadinhos a elas (e algumas calças, mesmo a estrear!...), o frio das adegas é tão apreciado como no tórrido Verão.

 

No escano ou na mesa, que regalo ver o fumegar da boa batata, o colorido da travessa com aqueles nicos “rèqueiros”, o pichorro testinho a pedir encantadoramente a decantação, e um prato fundo e largo cheiinho de Grelos da Gaiteira!

 

E as fatias de pão centeio a completar o rico paladar!

 

“Estindes a ver, não estindes”?!

 

A geada bem que queimou aquelas couves, mas ainda fomos a tempo de apanhar os Grelos da Gaiteira.

 

E até mesmo amanhados nestas águas duvidosas das urbes e dos suburbes sabem que nem um petisco.

 

Tal como na VALDANTÁLIA assim acontece no ducado de Monforte, no principado da Raia, na capitania do Planalto, no condado da Aquitânia de Oura.

 

E os Grelos da Gaiteira!...

 
 
Tupamaro

 


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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Discursos Sobre a Cidade - 82 - Por Tupamaro

 

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“O  lencinho  dos  Namorados”

 

 

Os anos eram os dos Cinquenta,  do pós-Guerra.

A Srª. da Livração abençoava a Escola do Professor Monteiro e da D. Corinta, logo ali ao lado, mesmo em frente à porta principal, e o manto das paredes da sua Igreja cobria os afagos e os beijinhos dos enamorados quando, pela tardinha, vinham colher água na fonte, calhadinha logo à entrada do caminho para o Eiró.

O Professor Monteiro era dos rapazes. A D. Corinta, das raparigas.

O recreio era comum, mas havia uma fronteira invisível que raparigas e rapazes viam, nitidamente, não poder ser ultrapassada.

Contudo, antes da entrada e depois da saída, por aquela portinhola de ferro, não havia limites nem fronteiras.

Do lado de fora era zona franca, e os rapazes mai-las raparigas, nas cidades chamados meninos e meninas, e agora, no século XXI, chamados Jovens, misturavam-se ao balanço daquele vaivém de atracções que só as tardes da vida saberiam explicar e compreender.

Era prazenteiro, bom aluno, e o professor até o punha a ler os textos da Revista do SNI ou do Livro de Leitura, em pé, em cima do banco da carteira, na qual havia uma ranhura para o ponteiro, o lápis e a pena, de aparo nº2 ou nº4, e havia, também, na esquina direita da carteira, um tinteiro de esmalte….de um branco brilhante.

E elas formavam um grupo de colegas que o apreciavam.

Souberam do dia de anos dele.

Na «loja» da rua principal, antes de chegar à ponte sobre o rigueiro onde costuma ser instalado um S. Cristóvão grandalhão, com o Menino Jesus às carranchulas e uma cana de pesca armada com uma guita e um peixito raquítico pendurado na ponta, cada uma do grupinho comprou um lencinho bordado.

E no Largo da Srª da Livração, onde a canalhada dava largas à sua alegria de viver, jogando à macaca, ao eixo-baleixo, ao trinca-cevada, aos reis-e-rainhas, ou à pancada, no Dia de Anos, ele, o prazenteiro, recebeu três lencinhos bordados. Meteu um num bolso das calças, outro noutro bolso das calças e outro no bolso da blusa (agora chamada só camisa).

Estremecido, correu pela estrada de Sapiãos. Saltou um muro e vagueou por umas cortinhas. Parou junto de umas macieiras de onde se penduravam algumas maçãs raquíticas, mas perfumadas e gostosas. Nos ramos mais altos, os cascarrolhos fizeram ninhos. Trepou pelas macieiras acima a espreitá-los. Num ainda havia uns passarinhos de berço. Furiosos e valentes, os cascarrolhos – pais começam a fazer um barulhento chilreio dos diabos. Ganharam coragem e de voos rasantes passaram ao ataque dando umas bicadas no toutiço e nas mãos do mirone.

O rapaz dos Três Lencinhos saltou abaixo da macieira. E confuso pelos tremores das prendinhas e pelos temores dos cascarrolhos, continuou a vaguear pelas margens do Noro, sem saber lá muito bem porque se via à nora com a turbulência da sua cabeça e o galopar do seu coração.

Bem gostaria de ter um casaco par vestir no domingo e levá-lo à missa. E se ao menos o casaco tivesse três bolsinhos!...

Bem, mesmo com um só, talvez até fosse possível pôr lá os três lencinhos, nem que fosse só a ver-se o biquinho de cada um.

O amor não escolhe idade!

 
 
 
Tupamaro

 

 


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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Discursos Sobre a Cidade - 77


Discursos Sobre a Cidade - 77, originally uploaded by frproart.

“A cidade do silêncio”


Entre as dez e as onze da manhã deste domingo outonal de 18 de Outubro, descíamos a Rua Direita, encostado às casas do lado esquerdo, aonde batia um sol temperador do frescote da sombra que cobria o resto da largura da rua.
Uma rapariga saiu do florista empunhando uma única flor como se transportasse uma vela em procissão.
Não se via mais vivalma, nem se ouvia o menor zumbido.
E o som dos nossos passos ecoava que nos parecia um estrondo. Até parámos para melhor dar conta do eco que um passo, ou dois, em frente, produzia no empedrado.
Somente ao chegarmos à esquina da Ladeira da Brecha é que topámos com duas criaturas, caladas, a subir a rua.
Que estranho este deserto, de pessoas e de barulhos, na nossa cidade!
No Largo do Arrabalde, uma dúzia mal contada de homens com cara de pasmados e olhar ausente. Em frente ao antigo “Silva Mocho” apareceu um polícia que, com cara de estar a acabar a puberdade e com uma curvatura corcunda a comprovar o cansaço do esforço dispendido para chegar da Esquadra até ao Largo, e com uma farda chegada do alfaiate no dia anterior, abriu o «caderno de encargos», afinou uma esferográfica e, com ar ministerial, começou a registar o auto de transgressão. Sim, porque naquele domingo de manhã, o «gajo» que ali deixou o carro não tinha nada que o deixar ali.
Na esquina da antiga “Casa de Saúde do Dr. Alcino”, outro polícia, com altura e elegância da Torre de Menagem, falava “assertivamente” (vai com “”para lembrar que está na moda, e queremos ver os «in» consolados!) com um garimpeiro de bisbilhotices lá do Largo do Arrabalde.
Deitámos mais um olhar de cortesia às memórias romanas, então destinadas ao tratamento da saúde e da beleza; caminhámos pela Ponte, sob a qual se arrasta, com indecente e má figura, um rio que outrora era limpo, cristalino; onde se aprendia a nadar e onde os peixes desfilavam em garbosas paradas ou fazendo acrobáticas gincanas (que nas noites de Verão, às 5ªs Sábados e Domingos de Verbena, ao som da música dos “Pardais”, dos “Canários” ou do “Calypso” nos deliciavam com coloridos “Tattoos”), e se podia passear e namorar nos barquitos do “Redes” e do “Lombudo”.
A fotografar as “Colunas” estavam três raparigas. Eram estudantes de “Turismo e Termalismo”. Ouviram falar das Termas de Chaves e vieram à procura de inspiração e argumentos para um trabalho escolar. Castelo, Caldas e Ponte Romana eram as suas referências. Tinham uma vaga ideia acerca de uns «Fortes». Mas não sabiam se era possível visitá-los, nem onde ficavam. E julgavam que a cidade correspondia ao território da margem direita do rio.
Nunca nos cansamos de olhar a fachada da Igreja da (Freguesia) Madalena! Lá por dentro deve haver grandes mistérios - está sempre fechada! Não tem edital com horário de funcionamento ou de abertura ao público …. nem onde procurar a chave!
Parece que CHAVES tem vergonha de mostrar as intimidades de alguns dos seus monumentos!
Para umas coisas, pudor a mais; para outras, vergonha a menos!
Estava na hora de trincar mais um (ou dois!) “Pastel de Chaves” e subimos “Stº António”. Na “Pedreira do Baptista” já se viram três compadres na conversa, mas o torcer o pescoço para um lado e para outro à procura de qualquer novidade que lhes desse alento para o «dar à lingueta». O “Sport” ganhava um cliente na esplanada, e, à porta de uma padaria, uma padeira, perdão, uma “técnica superior de fornecimento de produtos energéticos e alimentares de panificação”, veio mostrar o seu ar ansioso pela chegada de um só cliente que fosse.
Daí até ao “Jardim do Bacalhau” nem peixe, nem pescador. Apenas uma «pescada» apetitosa se cruzou connosco! Era de «raça Tamegana».
Que sossego o dessa manhã, na Cidade do Silêncio!


Tupamaro

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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Discursos sobre a cidade - 71


Discursos sobre a cidade - 71, originally uploaded by frproart.
 

CONVERSAS COM ZEUS”

-VIII-

-HERMES entre nós-

 

 

Lá, pelo S. Domingos de VALDANTA, andava meio disfarçado o ministro da Informação e da Comunicação de Zeus.

Aproveitou a chave na porta da catedral da rua da Capela e atirou-se a um “Balcerdeira” fresquinho, não sem antes ter espreitado no forno por uma costelinha de cordeiro de Castelões.

Mas nós conhecemo-lo logo pelo falar.

Fizemos há-de conta que era um barrosão de Meixide e convidámo-lo para «um copo», ali, no Bar da Junta.

Mais sossegado, lá nos foi dizendo que por culpa das vezes que faz companhia a Zeus, quando este na visita, ganhou um certo «ganguinho» por estas ALDEIAS Flavínias, e que bem mais acertadas eram se ficassem instaladas nos arrabaldes do palácio real de Zeus.

Assiduamente põe em cima da mesa de Zeus os Post(ai)s dos Blogues da Normandia Tamegana. Zeus não pode passar sem lhes dar uma vista de olhos.

Disse-nos Hermes que Zeus, às vezes até pragueja!

 

-“Mas que CARA…G…LH…J (GALEGO!)… O que vem a ser isto?!”ouve-lhe Hermes, a Zeus, quando este topa com as camarárias asneiradas continuadas.

- “Depois lá tenho de o aturar”, queixa-se-nos Hermes.

Há dias, até lhe apanhámos, a Zeus, a dizer para consigo próprio: -“Qualquer dia, pego nos «Concertinas de Venda Nova», contrato-os para a “Pedreira do Baptista”, desafino-lhes as gaitas e mando-os sanfonar com tanta força (que nem as trombetas de Jerico!) que até os «timpanos» (tímpanos) dos “Timpanas” desses Lalinhos e Lalõezinhos vão ficar arrebentados, que é para aprenderem a ouvir  -   e fazer!   -    o que se lhes diz bem dito!

 

- Ena, Hermes! Atão bieste pràqui desanuBiar um bocado! - atirámos-lhe.

 

-E ZEUS, que anda a ficar pior que estragado com os maus tratos dos “medioc(r)oneiros” que têm administrado a “Cidade de Trajano”, resolveu ir passar umas férias grandes numa das ilhas pequenas sita entre duas das maiores ilhas do mundo  - a Greenlândia e a Hellulândia. Fez bem, pois aí pode refrescar a fervura dos azeites, com que andava.

‘Inda pensou em passar uns dias por Águas Frias, mas como lá no céu anda tudo em reboliço por causa das padroeirices dos santos e a Ti’Adélia inda o obrigava a subir ao cimo do poste ensebado!... Nã! Quando o “Lagar do Tino” estiver consertado, então, sim, Zeus virá lá com o PÃ dar um concerto e, talvez, um enxerto no responsável pelos silvedos que comem o Castelo de Rio Livre!

 

Hermes, vê-se, está bem dentro dos assuntos da Normandia Tamegana.

‘Inda estivemos para o obrigar a ficar para o S. Gonçalo de SEGIREI, mas como nunca mais chegava a «carta de chamada», talvez o mandemos vir só para a Srª das Necessidades, em CASTELÕES.

Oxalá Zeus não nos apareça por aí, por Chaves, Engaranhado!

 

E Hermes continuou:

- “Avizinha-se o campeonato das padroeirices políticas, cá pela federação de quinteiros «à beira-mar enfeudados». Como a maçã deixou de ser tentação, tentam os edenistas com rosas e laranjas.

Vão pela cor e não pelo sabor. Se não, bem ergueriam por símbolo a Batata da Montanha, o Pimento do Cambedo, a Couve Penca de qualquer horta tamegana, a Castanha de Nogueira, a Pinga de Arcossó ou Balcerdeira, a Noz de Vidago, a Melancia do Cando, o Melão de Outeiro Seco, o Trigo de Quatro Cantos de Faiões…

 

Alto aí, Hermes! – interrompemos, de sopetão.

Mas com que raio Hefesto fulminou a tua cachimónia! Que até parece quereres estar a ensinar o padre-nosso ao …

 

- Oh! Meu caro! - atalhou.

Se os Normando-Tameganos se ajuntassem todos no Largo do Arrabalde, sob uma das gloriosas (e saborosas!) bandeiras que tanto têm por onde escolher, lançavam o «Grito do FLAVIANGA» e, então, sim, teríeis aqui um Território Livre de políticos de raça minorca e Independente de governantes sacripantas!  

 

- Hermes, ora agora vamos lá beber um golito às Caldas!      dissemos-lhe, com uma palmadita no costado.

 

- Bem lembrado! – respondeu Hermes.

Está na hora de abalada, e quero chegar sem que se note ter ido daqui.

Para a “Feira do Gado” tendes-me cá, de certeza certezinha.

ZEUS vai querer saber as “noBidades” (ena, pá! Inté já’stou  àpanhar jeitos daqui!).

 

Fazia-se tarde.

Hermes estava “bem composto”.

Era hora de nos despedirmos «até à próxima».

Recomendámos-lhe para reservar na agenda de Zeus uma visita aos “SANTOS”.

Os deuses são-nos FIÉIS.

 

Tupamaro

 


publicado por Fer.Ribeiro às 00:12
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